sábado, 25 de janeiro de 2014

Jogos Internos


Sempre gostei de jogar bola, os Jogos Internos eram uma das épocas em que mais me divertia, comecei a participar quando entrei na 1º série na Escola Anchieta e continuei até terminar o ensino médio no Ginásio Santana (Cenecista). Com o passar dos anos a rivalidade entre as séries ficava cada vez maior, ninguém queria perder para outra turma (série) na qual podia ter um desafeto para desagradar ou uma paquera para se "amostrar", era uma questão de honra.

Minha primeira desilusão foi quando propus para os colegas do time fazermos uma camisa negra com os olhos do Bad Boy nas costas e a seguinte inscrição: The Bad Cenecista. Tudo bem que a ideia não era original e nem boa, mas perdi a votação para uma camisa colorida com um mágico tocando clarinete e em letras garrafais: Os Feiticeiros. É claro que abandonei a ideia da camisa, acho que nem o Aladim jogava com um terno horroroso desse.

Minha segunda decepção foi quando meu time chegou na final do Futebol de Areia, depois de passar por tantos jogos tínhamos a confiança elevada, mas fomos surpreendidos por um pênalti sem sentido marcado no final do segundo tempo. O jeito foi sair chorando do Areião da AABB e esperar o próximo ano. Dias depois rolou o boato através das más línguas que o pai de um jogador do time adversário conhecido como "Belezinha" tinha comprado com 2 cervejas  e 1 carteira de Derby Azul falso o Juiz da partida: Pedro Baygon.




sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Balão



- Tonho, procure as chaves  e vá guardar o carro na garagem. Né pra demorar não viu!

E corre Tonho para o banheiro tomar banho, passar gel e colocar perfume para pegar o carro do pai e levar até a garagem que fica na outra esquina! Pra aproveitar um pouco mais o "passeio" ele decide que uma passadinha pela Praça da Bandeira não faz mal a ninguém! Arrodeia por outra rua e abaixa o vidro do carro para ficar visível para as gatinhas, topa o som e passa bem devagarinho pra desfrutar o momento. Infelizmente a praça estava pouco movimentada e não ganhou nem uma olhadinha, ficou chateado e decidiu finalmente guardar o carro, só que dando um balão pela cidade de Olho d'Água das Flores.

Sabia que tinha sarau e que iria chamar a atenção porque era "de fora". Parou o carro na  Praça e acendeu 1 cigarro pra bancar o descolado. Para não dizer que não arrumou nada conseguiu uma briga ao olhar para uma moça acompanhada, para preservar sua arcada dentária decidiu pegar o beco.

Como era cedo optou por dar outro balão por Monteirópolis pois era dia de discoteque! No meio da BR acabou a gasolina. Teve que ligar pro pai ir pega-lo.

- Pai, acho que me perdi no caminho da garagem.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Dicionário

       
Machado de Assis

Era uma vez um tanoeiro, demagogo, chamado Bernardino, o qual em cosmografia professava a opinião de que este mundo é um imenso tonel de marmelada, e em política pedia o trono para a multidão. Com o fim de a pôr ali, pegou de um pau, concitou os ânimos e deitou abaixo o rei; mas, entrando no paço, vencedor e aclamado, viu que o trono só dava para uma pessoa, e cortou a dificuldade sentando-se em cima.
- Em mim, bradou ele, podeis ver a multidão coroada. Eu sou vós, vós sois eu.
O primeiro ato do novo rei foi abolir a tanoaria, indenizando os tanoeiros, prestes a derrubá-lo, com o título de Magníficos. O segundo foi declarar que, para maior lustre da pessoa e do cargo, passava a chamar-se, em vez de Bernardino, Bernardão. Particularmente encomendou uma genealogia a um grande doutor dessas matérias, que em pouco mais de uma hora o entroncou a um tal ou qual general romano do século IV, Bernardus Tanoarius; - nome que deu lugar à controvérsia, que ainda dura, querendo uns que o rei Bernardão tivesse sido tanoeiro, e outros que isto não passe de uma confusão deplorável com o nome do fundador da família. Já vimos que esta segunda opinião é a única verdadeira.

Como era calvo desde verdes anos, decretou Bernardão que todos os seus súbditos fossem igualmente calvos, ou por natureza ou por navalha, e fundou esse ato em uma razão de ordem política, a saber, que a unidade moral do Estado pedia a conformidade exterior das cabeças. Outro ato em que reveleu igual sabedoria, foi o que ordenou que todos os sapatos do pé esquerdo tivessem um pequeno talho no lugar correspondente ao dedo mínimo, dando assim aos seus súbditos o ensejo de se parecerem com ele, que padecia de um calo. O uso dos óculos em todo o reino não se explica de outro modo, senão por uma oftalmia que afligiu a Bernardão, logo no segundo ano do reinado. A doença levou-lhe um olho, e foi aqui que se revelou a vocação poética de Bernardão, porque, tendo-lhe dito um dos seus dois ministros, chamado Alfa, que a perda de um olho o fazia igual a Aníbal, - comparação que o lisonjeou muito, - o segundo ministro, Omega, deu um passo adiante, e achou-o superior a Homero, que perdera ambos os olhos. Esta cortesia foi uma revelação; e como isto prende com o casamento, vamos ao casamento.
Tratava-se, em verdade, de assegurar a dinastia dos Tanoarius. Não faltavam noivas ao novo rei, mas nenhuma lhe agradou tanto como a moça Estrelada, bela, rica e ilustre. Esta senhora, que cultivava a música e a poesia, era requestada por alguns cavalheiros, e mostrava-se fiel à dinastia decaída. Bernardão ofereceu-lhe as coisas mais suntuosas e raras, e, por outro lado, a família bradava-lhe que uma coroa na cabeça valia mais que uma saudade no coração; que não fizesse a desgraça dos seus, quando o ilustre Bernardão lhe acenasse com o principado; que os tronos não andavam a rodo, e mais isto, e mais aquilo. Estrelada, porém resistia à sedução.


Não resistiu muito tempo, mas também não cedeu tudo. Como entre os seus candidatos preferia secretamente um poeta, declarou que estava pronta a casar, mas seria com quem lhe fizesse o melhor madrigal, em concurso. Bernardão aceitou a cláusula, louco de amor e confiado em si: tinha mais um olho que Homero, e fizera a unidade dos pés e das cabeças.
Concorreram ao certame, que foi anônimo e secreto, vinte pessoas. Um dos madrigais foi julgado superior aos outros todos; era justamente o do poeta amado. Bernardão anulou por um decreto o concurso, e mandou abrir outro; mas então, por uma inspiração de insigne maquiavelismo, ordenou que não se empregassem palavras que tivessem menos de trezentos anos de idade. Nenhum dos concorrentes estudara os clássicos: era o meio provável de os vencer.
Não venceu ainda assim porque o poeta amado leu à pressa o que pôde, e o seu madrigal foi outra vez o melhor. Bernardão anulou esse segundo concurso; e, vendo que no madrigal vencedor as locuções antigas davam singular graça aos versos, decretou que só se empregassem as modernas e particularmente as da moda. Terceiro concurso, e terceira vitória do poeta amado.
Bernardão, furioso, abriu-se com os dois ministros, pedindo-lhes um remédio pronto e enérgico, porque, se não ganhasse a mão de Estrelada, mandaria cortar trezentas mil cabeças. Os dois, tendo consultado algum tempo, voltaram com este alvitre:
- Nós, Alfa e Omega, estamos designados pelos nossos nomes para as coisas que respeitam à linguagem. A nossa idéia é que Vossa Sublimidade mande recolher todos os dicionários e nos encarregue de compor um vocabulário novo que lhe dará a vitória.
Bernardão assim fez, e os dois meteram-se em casa durante três meses, findos os quais depositaram nas augustas mãos a obra acabada, um livro a que chamaram Dicionário de Babel, porque era realmente a confusão das letras. Nenhuma locução se parecia com a do idioma falado, as consoantes trepavam nas consoantes, as vogais diluíam-se nas vogais, palavras de duas sílabas tinham agora sete e oito, e vice-versa, tudo trocado, misturado, nenhuma energia, nenhuma graça, uma língua de cacos e trapos.
- Obrigue Vossa Sublimidade esta língua por um decreto, e está tudo feito.
Bernardão concedeu um abraço e uma pensão a ambos, decretou o vocabulário, e declarou que ia fazer-se o concurso definitivo para obter a mão da bela Estrelada. A confusão passou do dicionário aos espíritos; toda a gente andava atônita. Os farsolas cumprimentavam-se na rua pela novas locuções: diziam, por exemplo, em vez de: Bom dia, como assou? - Pflerrgpxx, rouph, aa? A própria dama, temendo que o poeta amado perdesse afinal a campanha, propôs-lhe que fugissem; ele, porém, respondeu que ia ver primeiro se podia fazer alguma coisa. Deram noventa dias para o novo concurso e recolheram-se vinte madrigais. O melhor deles, apesar da língua bárbara, foi o do poeta amado. Bernardão, alucinado, mandou cortar as mãos aos dois ministros e foi a única vingança. Estrelada era tão admiravelmente bela, que ele não se atreveu a magoá-la, e cedeu.

Desgostoso, encerrou-se oito dias na biblioteca, lendo, passeando ou meditando. Parece que a última coisa que leu foi uma sátira do poeta Garção, e especialmente estes versos, que pareciam feitos de encomenda:

O raro Apeles,
Rubens e Rafael, inimitáveis
Não se fizeram pela cor das tintas;
A mistura elegante os fez eternos.


Fonte: Páginas Recolhidas - Machado de Assis - W.M. Jackson Inc. Editores - 1946.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O patriota



Nunca gostei muito desse negoço de patriotismo, éramos obrigados a cantar o Hino Nacional na escola e eu ia me esconder no banheiro, o problema não era necessariamente o Hino, mas o fato de sermos obrigados a passar por uma atividade que não contribui em nada para o desenvolvimento cognitivo, puro enchimento de linguiça.

Por volta de 2001 fui a uma reunião para participar da Semana da Pátria em Santana do Ipanema, minha tarefa (e a de mais 50 crianças "patriotas") era a de ir para o povoado de Areias de caminhão, e voltar a pé revezando uma Tocha (horrorosa por sinal), cada criança carregava um trecho e passava para a próxima.A Tocha seria colocada na Praça da Bandeira e acessa durante os 7 dias da Semana da Pátria. 

Fiquei sozinho no meio da BR depois que passei a tocha, andando e esperando que o caminhão voltasse para pegar os que ficaram no meio do caminho, encontrei mais alguns amigos na mesma situação a medida em que fui caminhando no sentido Santana.

- Prometeu filha da puta, que invenção de merda roubar a porra do fogo de Zeus pra eu carregar no meio do breu e depois ser deixado na pista!

O tempo passou e uma hora depois o caminhão voltou pegando todos os que ficaram na estrada, chegamos em Santana a noite e antes de mandarem para casa todos os "patriotas" que carregaram a "chama da pátria" fomos recepcionados por um banquete de fazer inveja ao Congresso Nacional:  um copo de guaraná quente, um pastel de vento frio e uma pipoca gravatá.

sábado, 17 de agosto de 2013

Vídeo-Game


  
    Deveria ganhar uma medalha de honra da Associação dos Jogadores de Vídeo-Game, explico melhor: 1 dia antes de viajar para passar o Carnaval em Penedo arrumei um Playstation 1 emprestado e passei a tarde toda bebendo, ao chegar em casa arrumei a bolsa pegar carro na ponte as 5 da manhã e deitei de qualquer jeito no chão para ficar o fim de noite e madrugada acordado jogando. Consegui é verdade, mas junto a isso adquiri uma Lesão por Esforço Repetitivo - LER que me lascou até a Quarta-feira de Cinzas.
     Minha dieta era na base de comprimidos para dor e sem ingerir nenhuma gota de álcool para não tirar o efeito do remédio, a única coisa que podia fazer era fumar 1 cigarro pra não dizer que era o careta do ambiente e tomar refrigerante quente.
     Na Segunda-feira de Carnaval estava em Neópolis com dois amigos, mas devido as dores optei por pegar uma "lancha" para atravessar o São Francisco e chegar em Penedo para descansar, o problema é que ao chegar em casa não havia ninguém para abrir o portão, minha única opção era pular mas tinha dificuldades por conta do músculo latejando. Ainda assim usando apenas 1 braço conseguir escalar a grade, me apoiar na parede e subir para o primeiro andar, onde usei um graveto para destravar a janela e entrar na casa.
     Pouco tempo depois soube que a casa tinha sido roubada e que o ladrão também subiu pelo primeiro andar e entrou pela janela, resta saber se o meliante me viu entrando essa noite e se vai me pagar alguma taxa por ser o pioneiro naquela janela.

sábado, 6 de julho de 2013

Lenda Urbana


Havia um senhor que morava nas ruas de Santana que apresentava um distúrbio psicológico: acreditava estar dirigindo um carro. Andava com as mãos segurando um pedaço de pau que simbolizava um volante imaginário, fazia o som da buzina, dava ré (melhor que muito motorista) , seta e até estacionava, a única coisa que não fazia era descer do veículo.

Certa vez soube que uns amigos do tempo do ginásio estavam atrasados para a aula e foram socorridos pelo senhor que estava passando naquele momento pelo local, não hesitou em abrir a porta do porsante e oferecer carona, que também foi aceita gentilmente pelos alunos que chegaram atrasados e suados, mas dentro da tolerância para entrar na escola.

A última notícia que tive desse senhor foi que tinha decidido ir para o sudeste descendo pelo litoral sul, tinha sido visto em Piaçabuçu e segundo o que dizem as lendas urbanas seu objetivo era contornar a América do Sul, chegando no Pacífico e subindo  o Andes no estilo Che Guevara. 
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