quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A butija e o pterodáctilo.


"Você Zé dos coco, deve ir sozinho até a encruzilhada perto da budega de Mané capado, com uma par e cavar até encontrar minhas preciosas moedas que escondi com medo de roubos e das pessoas gananciosas, mas muito cuidado quando você encontra-la, pois tudo que você tem medo aparecerá na sua frente com o intuito de fazer você desistir do tesouro...vá sozinho..."


E Zé acorda atordoado sem saber se o que aconteceu foi um sonho ou realmente seu finado tio que segundo alguns tinha dinheiro escondido aparecera para ele, na desconfiança parte com uma pá em buscar da "vida boa", no caminho pensa no que poderia aparecer de ruim para ele desistir da empreitada, lembra de quando era criança e tinha ganhado da sua tia da cidade um pterodáctilo velho com as patas quebradas e banguelo, que como seu primo novo não queria mais foi mandado para o primo pobre do sítio, lembra também de como ficou assustado com o animal, no começo nao quis brincar mas com o passar do tempo quando tinha raiva de alguém imaginava o brinquedo comendo a cabeça da vítima, mas nao chegava perto do boneco assim mesmo.

Ao chegar na encruzilhada apaga o "pacaia" e bota a mão na pá, cava, cava, cava e encontra o baú, tenta abrir na amizade mas vendo que nao conseguiria parte pro tapa, e joga o objeto no chão espalhando moedas por todos os lados, quando se abaixa para pega-las eis que surge pterodáctilo sem as pernas e banguelo, zé usa de todas as artimanhas para escapar das cabeçadas do animal pré-histórico, mas sofre com uma bem na sua cabeça, cai desajeitado e num excesso de raiva e coragem combinadas pular no pescoço da ave e mata ela enforcada.


ps: os fósseis encontram-se no museu da cidade de Maravilha. Zé, segundo seus familiares que ainda residem no sítio próximo a cidade, fugiu com 2 "nega".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


A teoria, na prática, é outra!

Por Eli Magalhães

Os caba tinham saído pra beber numa quarta daquelas. Pra variar, a noite ia começar na praia da Pajuçara e sabe-se lá onde é que ia terminar. Tudo começa muito bem. É uns golinhos de vinho aqui, uns copinhos de cerveja ali, conversa fiada e, de hora em hora, uma andadinha pra esticar o coro das pernas.

De andadinha em andadinha, acabou que, quando olham em redor, já tão na Jatiúca, às três da matina, conversando em banquinhos que normalmente seriam povoados por gatos em acasalamento. Nosso amigo, K. Porfírio, mais conhecido como Coronel, como sempre, demonstrava-se uma pessoa entendida das coisas.

A conversa deve ter começado com comentários banais sobre os "300 de Esparta", porque, sabe-se lá como, ela foi parar em um debate monótono sobre estratégia militar. E foi aí que nosso amigo se destacou. Não deixou de opinar sobre nenhum conflito que tenha envolvido mais de vinte homens desde Joana D'Arc pra cá. Explicou os erros de Waterloo, como os soviéticos encurralaram Hitler, porque os burgueses esmagaram a comuna de Paris, como os vietnamitas expulsaram os yankees da Ásia Oriental, como os EUA até hoje não acharam o Bin Laden, e como os emos do posto 7 conseguem escapar com vida dos headbangers de Maceió.

"O bicho é sabido mermo", ficou todo mundo pensando. Com certeza, se tivesse numa guerra, dava uma pisa no inimigo militar que não ia caber no gibi. Mas eis que tomam um balde d'água fria. Quando já eram seis da manhã, com o dia claro, na Jatiúca, voltando pra casa o Coronel foi assaltado! Estando um pouco afastado do grupo, andando mais atrás pra cuidar da retaguarda da tropa, o intrépido estrategista foi pego de surpresa. Os outros olham pra trás e o bicho tava branco que nem cal nova.

"Fui assaltado, véi! O cara chegou, colocou uma coisa nas minhas costas, me segurou pelo pescoço, enfiou a mão no meu bolso e levou meu celular!".

E outro astuto companheiro nosso retruca:

"Pera aí! Como é que o cara, com uma mão, coloca uma arma nas tuas costas, com a outra segura você pelo pescoço e, com a terceira mão, tira o celular do seu bolso?! Porra!".

E foi assim que o Coronel passou a madrugada todinha falando de estratégia militar pra ser emboscado e assaltado, em plena luz do dia, por uma pessoa que, discretamente, possui três braços. Pois é, a teoria, na prática, é outra.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O homem que morreu rindo.



    O título pode nao revelar o quão dolorosa pode ser a morte, e realmente foi o que aconteceu com Seu João, matuto, namorador e frequentador assíduo das budegas da vizinhança. Uma bela noite resolveu sair para curtir pois na noite anterior tinha sonhado que a meia-noite sairia meia dúzia de mulé correndo pelada e ele tangendo pra sua casa. Sorria sempre que olhava pra o relógio e este andava rápido ou como ele dizia "parece que tá comendo feijão". Por volta das 11 da noite entra na budega uma dessas moças de "vida fácil", da cintura pra cima parecia um cágado, da cintura pra baixo um mocó. Como não tava pra qualquer uma e mais tarde suas garotas surgiriam peladas Seu João olha pra ela e resolve arengar:


- Morena, morena! Pra urubu só falta pena!


    Para sua supresa a "morena" apresentava um cromossomo Y e não gostando da abordagem e da semelhança comentada resolve partir pro tapa. Meia hora de briga depois a "morena" encontra uma peixeira em uma das mesas e dá um golpe certeiro onde sua mãe fazia cosquinha em sua infância. Ferido Seu João cai em cima do balcão com a peixeira presa ao "subaco" e um sorriso na boca.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Diz meu pai...


"- É sério que Lampião ficava nessa serra do cruzeiro onde a gente sobe na semana santa pra pagar promessa?
- É sim, de lá dá pra ver a cidade toda e como ele era devoto de Nossa Senhora Santana não entrava na cidade, ficava de lá só olhando os "macacos". Tem até uma história duma música sobre um caso que aconteceu no cruzeiro.
- Nunca vi não, que música?
- Aquela "danado de bom" que mestre lua e outros grandes nomes gravaram.
- E o que essa música tem a ver com o cruzeiro daqui?
- Foi assim:
Lampião: Vamo todo mundo tirando a roupa, o xaxado hoje é com todo mundo pelado!
Os cangaceiros se despiram e começaram a dançar em fila indiana cantando histórias de batalhas e passos semelhantes a gestos de guerra, as damas eram suas armas pois logo no início as mulheres não participavam do xaxado (até porque quando a dança surgiu as mulheres ainda não tinham entrado para o cangaço).
Lampião: Agora todo mundo larga a arma e coloca um dedo na boca e outro na bunda!
E prosseguiram dançando até que Lampião quis complicar o negoço.
Lampião: Hora de trocar os dedos!
Os cangaceiros acham estranho e um deles reclama:
- Lampião, desse jeito não dá não, assim fica danado!
O rei do cangaço puxa a pecheira e aponta pro cabra.
- Danado de que "homi"?
O medo se apossa do pobre infeliz que já sentindo o fio da faca na garganta responde:
- Danado de bom!"
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