sábado, 18 de junho de 2011

S2 Atalaia

Compre minha passagem antecipadamente pra evitar fazer uma viagem Maceió-Santana (4 horas) em pé no ônibus da Real Alagoas, tinha que ir pois o dia seguinte era 3 de Outubro de 2010, precisava chegar para votar e evitar futuros problemas jurídicos. Tentei ser precavido, comprei a passagem antes do dia para garantir assento pois pegaria o busão fora da rodoviária em um dos pontos da via expressa.

O ônibus normalmente inicia o trajeto as 5:30, cheguei as 5 da manhã e esperei pacientemente... 40 minutos depois vejo de longe a placa! Aceno, dô a mão e o motorista responde gesticulando com as mãos um sinal de que estava cheio e não iria parar, aceno a passagem comprada mas o infeliz passa direto e me deixa sem muitas opções (ou nenhuma). Olho meu bolso e vejo 15 centavos:

- Porra, não da nem pra comprar um derby falso (mais tarde constatei que essa informação era falsa, fiquei muito feliz com isso).

Andei até a Federal pra tentar conseguir carona até alguma cidade mais adiante, e se acaso passase uma besta/van para Santana entraria e pagava a passagem quando chegasse em casa. Fiquei 20 minutos com uma plaquinha com um desenho de uma mão pedindo carona e o nome "Satuba", um ônibus da Real parou, subi e falei com o motorista que o ônibus não parou pra mim, e que como ele era da mesma empresa me daria carona até a cidade mais próxima, ele concordou pedindo pra conferir a passagem, subi no ônibus e desci no quebra-mola principal de Satuba.
 Lá encontrei um rapaz da Escola Agrotécnica tentando carona pra entrada de Atalaia, fiquei no mesmo lugar que ele e após 30 minutos um uno prata parou, um dito fazendeiro parou e até me deixar em Atalaia teve tempo pra desabafar da sua vida desde o útero até os dias atuais.
Atalaia é mais perto de Santana, logo mais barato pra pagar um transporte! Fiquei no quebra-mola após a PM, com a mesma plaquinha escrita "Palmeira", aos poucos algumas pessoas começaram a perceber minha presença e assistiam de longe as tentativas frustadas. Muito tempo depois uma moça parou perto e perguntou:

- Você precisa de quanto?
- Vou ter que sair pingando, daqui pra Palmeira e de Palmeira Santana, deve da 20 reais.
- Tome 10, daqui pra mais tarde você consegue o resto.

Opa, começou a melhorar pro meu lado, quando deu 1 da tarde um rapaz e uma moça que há horas observava aproximou-se e deu 15 reais! Não tardou a passar uma Van para Palmeira, subi e chegando lá encontrei uma besta saindo pra Santana.

Resultado entrada:
                 15 centavos
              + 10 reais
                 15 reais
              = R$ 25,15

Resultado saída:
                    passagem Atalaia-palmeira 10 reais 
                    passagem palmeira-santana 10 reais
                    1 derby falso 15 centavos
                    2 cervejinhas geladas na rodoviária de  
                    Santana com o dinheiro que sobrou das 
                    boas almas que me ajudaram porque ninguém 
                    é de ferro:  

                                 NÃO TEM PREÇO!

Existem coisas que o dinheiro não compra! Para todas as outras, use ATALAIA.


* Homenagem a Zé Nilson.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fim do mundo.

O primeiro "fim do mundo" que presenciei foi antes da virada do milênio, numa sexta-feira onde a União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas  - UESA estava em Santana entregando os lotes de carteirinhas estudantis, tão importante na compra de ingressos pelo meio preço!

Como de práxis, nessa sexta haveria na AABB um show com o forró estilizado "Raio da Silibrina" que  (uma homenagem mal feita ao trupizupi) tocaria pela primeira vez na cidade, não consegui compreender a razão para o nome da banda ser esse até que começou um alvoroço geral na praça principal.

Por volta das 21 horas todo mundo começou a olhar pro céu e apontar algo rapidamente se movimentando por todas as direções, ora baixo ora alto, e o povo comentando alto:

- Viji minha nossa senhora, bem que o padre falou que esse negoço de vida caba logo.
- Tá vendo alí? Vai vim em cima da gente. Só pode ser um disco voador.
- Vai nada, aquilo ta voando pro outro lado, se for pra matar o mundo acho que eles devem começar lá na China, ô povinho pra vender coisa que não presta viu.
- Tu vai pro show ainda? Vou mais não, minha mãe ligou falando pra ir pra casa, parece que o mundo vai se acabar, saiu na rádio.

Meia hora depois, após conseguir pegar a carteirinha de estudante e comprar ingresso pro show a preço baratinho, já que ninguém queria passar o fim do mundo no forró, descobri empiricamente do que se tratava o "mala assombro". A banda se chamava Raio da Silibrina também (homenagem ao cantador trupizupi) por ser uma das pioneira no uso de equipamentos de luz, um deles era um novo tipo de canhão de luz que projetava numa longa distância. Nesse dia o mundo não acabou, os chineses continuaram vivos e o repórter da rádio local foi despedido.
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