sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O patriota



Nunca gostei muito desse negoço de patriotismo, éramos obrigados a cantar o Hino Nacional na escola e eu ia me esconder no banheiro, o problema não era necessariamente o Hino, mas o fato de sermos obrigados a passar por uma atividade que não contribui em nada para o desenvolvimento cognitivo, puro enchimento de linguiça.

Por volta de 2001 fui a uma reunião para participar da Semana da Pátria em Santana do Ipanema, minha tarefa (e a de mais 50 crianças "patriotas") era a de ir para o povoado de Areias de caminhão, e voltar a pé revezando uma Tocha (horrorosa por sinal), cada criança carregava um trecho e passava para a próxima.A Tocha seria colocada na Praça da Bandeira e acessa durante os 7 dias da Semana da Pátria. 

Fiquei sozinho no meio da BR depois que passei a tocha, andando e esperando que o caminhão voltasse para pegar os que ficaram no meio do caminho, encontrei mais alguns amigos na mesma situação a medida em que fui caminhando no sentido Santana.

- Prometeu filha da puta, que invenção de merda roubar a porra do fogo de Zeus pra eu carregar no meio do breu e depois ser deixado na pista!

O tempo passou e uma hora depois o caminhão voltou pegando todos os que ficaram na estrada, chegamos em Santana a noite e antes de mandarem para casa todos os "patriotas" que carregaram a "chama da pátria" fomos recepcionados por um banquete de fazer inveja ao Congresso Nacional:  um copo de guaraná quente, um pastel de vento frio e uma pipoca gravatá.

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